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The Chamber of 16 Genesis Shows

The Chamber of 16 Genesis Shows

Birmingham [PT/ENG]

24.09.21, Gonçalo Fabião

[PT]

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Foram muitas e variadas pessoas que se dirigiram, durante três noites, à Utilita Arena de Birmingham para o início da tour dos Genesis. A maioria britânicos, como dois amigos que conheci durante a fila para a bilheteira e que se lembravam com carinho do concerto dos Genesis em Twickenham, da última vez que eles tinham tocado juntos, em 2007; ou como o senhor que já viu mais de dez concertos dos Genesis e esteve no mítico concerto em Knebworth, em 1978; ou ainda o casal londrino que queria tanto ver a banda no início da tour, que pagou 900 libras por lugar só para estar ali. Mas também havia estrangeiros, como a pediatra alemã que nunca tinha visto os Genesis, porque nasceu do outro lado da cortina de ferro e, quando teve a oportunidade de os ver em 2007, estava a preparar a defesa da sua tese de doutoramento.

 

A banda entra ao som da banda sonora de American Beauty (Dead Already), por Thomas Newman. Ainda antes de tocarem uma nota, os músicos são calorosamente recebidos por um longo aplauso e exclamações de festa, típicas dos públicos ingleses. Todos os que ali estiveram sabem que os Genesis não precisavam de voltar à estrada, mas quiseram voltar para nos presentear com a excelência da sua música mais uma vez. Todos os que ali estiveram, estão gratos aos Genesis por aqueles três concertos.

 

O alinhamento foi o mesmo em todos os concertos de Birmingham. Abertura com Behind the Lines e Duke’s End. Uma receita que já tinha dado provas de funcionar na tour de 2007. É um início de espetáculo com um bang instrumental muito enérgico. Uma muralha de som atinge o público, ao estilo de uma mosca no para-brisas. O som é cristalino e poderoso, sentem-se o bombo e os pedais de baixo no peito e na garganta, como deve ser. Fica rapidamente provado que estes músicos estão extremamente bem ensaiados.

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Do instrumental, a banda segue para Turn it on Again. De novo, réplica da receita de 2007. A mensagem é clara: os Genesis estão de volta. O ecrã gigante e de formas irregulares atrás da banda divide-se em três retângulos onde estão enquadrados Mike Rutherford, Phil Collins e Tony Banks. Mais uma vez, o público recebe em festa os close-ups do trio. Em Turn it on Again a banda não tem dificuldades nenhumas. A voz, já frágil, de Phil Collins entra em diálogo com os vocalistas de apoio, Patrick Smyth e Daniel Pearce, que o aliviam nas notas mais agudas (Phil Collins canta “I can show you” e os vocalistas de apoio repetem mais agudo “I can show you”, para depois Phil Collins continuar com “Some of the people in my life”). A forma como este diálogo é feita resulta e não perturba e experiência de modo algum. Aliás, esta estratégia é já há muito seguida por vários cantores, como Bryan Ferry.

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Segue-se Mama. Esta canção, pelo menos em 1998, era a canção preferida de Mike Rutherford e Tony Banks. É, também, uma canção muito exigente do ponto de vista do vocalista. Compreende-se, assim, que o tom original tenha descido para um mais grave, que dá à canção um ar mais sombrio, que casa muito bem com espírito da canção. Suspeito que precisamente por ser uma canção exigente o seu lugar no alinhamento seja este. É em Mama que se vislumbra pela primeira vez o espetáculo visual que os Genesis prepararam. O palco fica iluminado apenas em tons de vermelho e o ecrã gigante mostra imagens vermelhas de lava e magma vulcânicos. A canção termina com o primeiro solo de guitarra de Mike Rutherford, enquanto Phil Collins dá as suas gargalhadas intimidantes e Tony Banks mantém a melodia assombrosa no seu sintetizador.

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Fomos cumprimentados por Phil Collins aquando da introdução de Land of Confusion. Aqui, a banda decidiu atualizar a canção, que foi escrita durante a Guerra Fria, para retratar, no que respeita aos efeitos visuais, os últimos quase dois anos de pandemia. Avisos de “stay at home”, cidades vazias, multidões de máscaras e chuvas de rolos de papel higiénico preenchem o ecrã gigante.

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Durante as três noites, reparei nitidamente num evoluir da capacidade vocal de Phil Collins. Está, contudo, mais esquecido e canta, agora, com o auxílio de papeis A4 laminados onde tem as letras de cada canção. Mas, mesmo assim, quando se entusiasma, perde-se na letra e troca uns versos. Nada que os fãs dos Genesis com o Peter Gabriel não estejam habituados. Parece que depende tudo de prática e ensaio. No caso de Phil Collins, a rodagem dos concertos fez-lhe bem. Claro que quem espera ouvir o Phil Collins dos anos 80/90 vai ficar desiludido. Mas quem esperasse tal coisa ficaria para sempre à espera até que se construísse uma máquina do tempo. É que os Genesis que estão em tour não são os Genesis dos anos 70, 80 ou 90. É certo que alguns músicos se mantêm, mas estes são os Genesis de 2021 a tocar versões das suas antigas canções.

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Os membros fundadores da banda, Mike Rutherford e Tony Banks estiveram excelentes. Mike Rutherford é claramente o mais energético da banda. Passeia-se muito pelo palco, para compensar, julgo eu, a falta de movimento de Phil Collins. Vai tentando assumir posições em palco onde seja possível enquadrar o velho trio. É o único músico que o consegue fazer, já que Phil Collins canta sempre sentado e Tony Banks sempre esteve preso aos seus teclados (temo a sua reação caso alguém alguma vez lhe sugerisse uma keytar).

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Porquê ver estes três concertos seguidos? Porquê ver mais ainda?

 

Claramente que não sou o único. Na última noite de Birmingham, Phil Collins perguntou se alguém tinha estado presente nas noites anteriores e não fui o único a gritar que sim. “Oh dear...” respondeu o cantor. Fui ver estes concertos porque, em primeiro lugar, os Genesis são a minha banda preferida e não me canso da sua música. Antes de cada concerto tive sempre aquele nervosinho de antecipação. Enquanto escrevo este post, já em Manchester e pronto para mais dois concertos, sinto esse nervosinho. Em segundo lugar, sempre quis seguir uma tour de uma banda especial para mim e tentar, de alguma forma, sentir que sou parte desta grande empreitada. Em terceiro lugar, quero muito ver como estes concertos evoluem. A evolução dos concertos de Birmingham é nítida e clara, o que eleva bastante as expectativas para os próximos concertos. Finalmente, a componente orgânica é muito importante para mim também. Gosto de sentir as imperfeições de cada atuação, porque me faz sentir mais próximo da música e faz dessa experiência única. Fica comprovado que são aquelas pessoas que estão a tocar aquela música. Por exemplo, na primeira noite Nic Collins começou a drum machine de Tonight, Tonight, Tonigh demasiado cedo, na segunda noite, Tony Banks esteve fora de tempo durante o solo de The Cinema Show, na terceira noite, Mike Rutherford começou a tocar em Domino desfasado do resto da banda. Estes momentos fazem desses concertos únicos e irrepetíveis e eu fico feliz por ter marcado presença.

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Mais relatos depois de Manchester, onde continuarei a análise do alinhamento e outros momentos (únicos) dos próximos dois concertos.

 

 

 

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[ENG]

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There were many and varied people who made their way, over three nights, to Birmingham's Utilita Arena for the start of the Genesis tour. Most of them were British, like two friends I met while queuing at the box office and who remembered fondly the Genesis show in Twickenham, the last time they had played together, in 2007; or the gentleman who had seen more than ten Genesis shows and had been at the mythical gig in Knebworth, in 1978; or even the London couple who wanted so much to see the band at the beginning of the tour that they paid £900 per seat just to be there. But there were also foreigners, like the German paediatrician who had never seen Genesis because she was born on the other side of the Iron Curtain and, when she had the opportunity to see them in 2007, she was preparing the defence of her doctoral thesis.

 

The band enters to the soundtrack of American Beauty (Dead Already), by Thomas Newman. Even before they play a note, the musicians are warmly received by a long applause and exclamations of celebration, typical of English audiences. Everyone who was there knows that Genesis didn't need to go back on the road, but they wanted to come back to present us with the excellence of their music once again. Everyone who was there is grateful to Genesis for those three concerts.

 

The setlist was the same in all concerts in Birmingham. The shows opened with Behind the Lines and Duke's End. A recipe that had already proven to work on the 2007 tour. It's a great start to the show with a very energetic instrumental bang. A wall of sound reaches the audience, in the style of a fly on the windshield. The sound is crystal clear and powerful, you can feel the bass drum and bass pedals in your chest and throat, as it should be. It is quickly proven that these musicians are extremely well rehearsed.

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From the instrumental, the band moves on to Turn it on Again. Yet again, a replica of the 2007 recipe. The message is clear: Genesis are back. The giant, irregularly shaped screen behind the band is divided into three rectangles where Mike Rutherford, Phil Collins and Tony Banks are framed. Once again, the audience welcomes the close-ups of the trio in celebration. In Turn it on Again, the band has no difficulties at all. Phil Collins' already fragile voice enters into dialogue with the backing vocalists, Patrick Smyth and Daniel Pearce, who ease him into the higher notes (Phil Collins sings "I can show you" and the backing vocalists repeat higher pitched "I can show you", and then Phil Collins continues with "Some of the people in my life"). The way this dialogue is done works and does not disturb the experience in any way. In fact, this strategy has long been followed by various singers, such as Bryan Ferry.

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Next is Mama. This song, at least in 1998, was Mike Rutherford and Tony Banks' favourite. It is also a very demanding song from the vocalist's point of view. It is understandable, therefore, that the original key has dropped to a lower one, which gives the song a darker mood, which suits the spirit of the song very well. I suspect that precisely because it is a demanding song its place in the setlist is this. It is in Mama that we glimpse for the first time the visual spectacle that Genesis have prepared. The stage is lit only in shades of red and the giant screen shows red images of lava and volcanic magma. The song ends with Mike Rutherford's first guitar solo, while Phil Collins gives his intimidating laugh and Tony Banks keeps the haunting melody on his synthesizer.

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We are greeted by Phil Collins at the introduction of Land of Confusion. Here, the band have decided to update the song, which was written during the Cold War, to portray, in terms of visual effects, the last nearly two years of pandemic. "Stay at home" warnings, empty cities, masked crowds and showers of toilet paper rolls fill the giant screen.

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Over the three nights I clearly noticed an evolution in Phil Collins' vocal ability. He is, however, more forgetful and now sings with the aid of laminated A4 paper sheets with the lyrics of each song on it. But even then, when he gets carried away, he gets lost in the lyrics and changes a few verses. Nothing that Genesis fans with Peter Gabriel aren't used to. It all depends on practice and rehearsal, it seems. In Phil Collins' case, the concert spin has done him good. Of course those expecting to hear the Phil Collins of the 80s/90s will be disappointed. But anyone expecting such a thing will be forever waiting until a time machine is built. The Genesis who are on tour are not the Genesis of the 70's, 80's or 90's. True, some of the musicians remain, but these are the Genesis of 2021 playing versions of their old songs.

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The founding members of the band, Mike Rutherford and Tony Banks were excellent. Mike Rutherford is clearly the most energetic of the band. He walks around the stage a lot, to compensate, I think, for Phil Collins' lack of movement. He's trying to take up positions on stage where it's possible to frame the old trio. He is the only musician who can do it, since Phil Collins always sings sitting down and Tony Banks has always been stuck to his keyboards (I fear his reaction if someone ever suggested him a keytar).

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Why see these three shows in a row? Why see even more?

 

Clearly, I'm not the only one. On the last night in Birmingham, Phil Collins asked if anyone had attended the previous nights and I wasn't the only one shouting yes. "Oh dear..." the singer replied. I went to see these shows because, firstly, Genesis is my favourite band, and I can't get enough of their music. Before each show I always had that little nervousness of anticipation. As I write this post, already in Manchester and ready for two more shows, I feel that nervousness. Secondly, I always wanted to follow a tour of a band that is special to me and try, somehow, to feel that I am part of this great endeavour. Thirdly, I really want to see how these shows evolve. The evolution of the Birmingham gigs is crisp and clear, which really raises the expectations for the next ones. Finally, the organic component is very important to me as well. I like to feel the imperfections of each performance, because it makes me feel closer to the music and makes this a unique experience. It proves that it's those people who are playing that music. For instance, on the first night Nic Collins started the drum machine for Tonight, Tonight, Tonigh too early, on the second night Tony Banks was out of tempo during The Cinema Show solo, on the third night Mike Rutherford started playing Domino out of sync with the rest of the band. These moments make these concerts unique and unrepeatable and I'm glad I attended.

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More reports after Manchester, where I will continue the analysis of the line-up and other (unique) moments of the next two concerts.

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